O consumo de energia elétrica das residências no Brasil totalizou 47.822 GWh no primeiro trimestre de 2025, representando um aumento de 3,4% em comparação ao mesmo trimestre de 2024. Esse foi o maior volume trimestral de consumo residencial registrado desde o início da série histórica, em 2004.
As informações são do Boletim Trimestral do Consumo de Eletricidade, elaborado e divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Ainda em relação ao primeiro trimestre de 2025, o consumo de energia elétrica da classe comercial totalizou 27.076 GWh, configurando o maior volume já registrado para um trimestre desde o início da série histórica da EPE, em 2004.
Apesar do recorde absoluto, o crescimento em relação ao mesmo período de 2024 foi modesto, com variação de apenas 0,1%, a menor taxa de expansão da classe desde o segundo trimestre de 2021.
O consumo nacional de energia elétrica das Indústrias (Consumo via rede elétrica. Não inclui autoprodução não-injetada na rede) foi de 48,6 TWh no primeiro trimestre de 2025, avanço de 2,6% em comparação com o mesmo trimestre de 2024, resultado em linha com a alta de 2,4% do valor adicionado da indústria no mesmo período.
A região Centro-Oeste registrou crescimento de 2,9% no consumo de energia elétrica residencial no primeiro trimestre de 2025, revertendo a retração observada no trimestre anterior. O volume total consumido no período foi de 4.287 GWh. No acumulado dos últimos 12 meses, a expansão foi ainda mais expressiva, alcançando 5,0%.
Os maiores avanços trimestrais ocorreram em Goiás (+5,0%) e Mato Grosso do Sul (+3,2%).
O aumento do consumo na região foi impulsionado principalmente pelas altas temperaturas e pela baixa umidade relativa do ar, que intensificaram o uso de sistemas de refrigeração e climatização nas residências.
Mercado
No primeiro trimestre de 2025, o consumo livre avança 10,0%, enquanto consumo cativo cai 3,2%.
O mercado livre, com 62,0 TWh, respondeu por 43,0% do consumo nacional de energia elétrica no primeiro trimestre de 2025, registrando crescimento de 10,0% no consumo e de 57,6% no número de consumidores, na comparação com mesmo período de 2024.
A região Centro-Oeste registrou a maior expansão do consumo (+13,1%), seguida pela região Sul (+12,9%), enquanto o Nordeste teve também a maior expansão do número de consumidores livres (+78,8%). Contribuíram para o resultado no mercado livre, principalmente, a expansão de 5,7% no consumo da parcela livre da indústria, e de 18,7% na parcela livre da classe comercial.
Já o mercado regulado das distribuidoras, com 82,2 TWh, respondeu por 57,0% do consumo nacional de eletricidade no primeiro trimestre de 2025, queda de 3,2%. O número de unidades consumidoras aumentou 1,4% no período, mesmo com a migração de consumidores para o mercado livre.
No mercado regulado, a região Sul teve a menor contração do consumo (-2,5%), enquanto o Norte teve a maior expansão do número de consumidores cativos (+2,6%). O resultado do mercado regulado foi puxado principalmente pela alta de 3,4% no consumo residencial.
O movimento de migração de consumidores cativos para o mercado livre permanece intenso após abertura para todos os consumidores do grupo A em janeiro de 2024, estabelecida na portaria do MME 50/2022.
Segundo relatório de migração do ACL da ANEEL de abril de 2025, houve migração de mais 25 mil consumidores em 2024 e há previsão de 17 mil migrarem em 2025.
A abertura do mercado livre tem mudado o perfil dos consumidores livres, ainda predominantemente industrial, ao permitir a migração de todo grupo A.
Assim, a participação da classe industrial no consumo livre total cai de 76,5% no primeiro trimestre de 2024 para 73,5% no primeiro trimestre de 2025 (-3 pontos percentuais), enquanto as classes: comercial, outros (principalmente serviço público de Água, Esgoto e Saneamento) e rural atingem, respectivamente, 18,9% (+1,4 p.p.), 5,0% (+1,4% p.p.) e 2,6% (+0,3% p.p.) de participação.
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